Sidney Fernandes
   
BRASIL, Sudeste, BAURU, Homem, Portuguese, English, Arte e cultura
Histórico
Outros sites
Sidney Francez Fernandes - site do autor
RÁDIO CEAC
Richard Simonetti
Wellington Balbo
Orson Peter Carrara
Movimento Espírita de Bauru e Região
O Consolador - revista semanal de divulgação espírita
Poesias - João Batista
Wanir Caccia
Centro Espírita Amor e Caridade-Bauru-SP.
O Desenhista-a arte à luz do Espiritismo
Palestras espíritas da Yara
Ailton Paiva
Animais perdidos para adoção

Votação
Dê uma nota para meu blog

 


A MELHOR PROTEÇÃO - por Richard Simonetti

O bairro sofria uma onda de assaltos. Os marginais invadiam estabelecimentos comer­ciais em plena luz do dia, empunhando armas de fogo. Tensos e agitados, não vacilavam em atirar se encontra­vam resistência. Providências estavam sendo tomadas pelas autoridades, mas a violência campeava, semeando o medo.

Na pequena farmácia de Ronaldo, um amigo, Jacinto, comentava:

– É preciso maior severidade nas leis. Sou amplamente favorável à pena de morte. Se eliminarmos esses facínoras sanearemos a sociedade.

O farmacêutico, que dedicara grande parte de seus setenta anos ao Espiritismo e à manipulação de medicamentos, sempre orientado pelo propósito de servir, pensava diferente:

– Não me parece que semelhante iniciativa traria algum benefício. Países que adotaram a pena máxima não registraram redução de crimes. O criminoso nunca cogita da possibilidade de ser punido. Julga-se acima das leis. Por isso, é inútil torná-las mais drásticas.

– De qualquer maneira, cada marginal eliminado será uma ameaça a menos...

– Engano seu. A Doutrina Espírita nos explica que o criminoso não perde a agressividade com a morte física e tende a envolver indivíduos que cultivam a mesma tendência, em processos obsessivos que ampliam a violência.

– A esse respeito não posso dizer nada. O que sei é que transformei minha casa numa fortaleza. Se alguém atrever-se a ameaçar meus patrimônios será recebido a bala!

– Admito que é necessário tomar precauções. Toda­via, tanto quanto possível, deixemos as providências po­liciais para os órgãos competentes. Enfrentar esses nos­sos irmãos com suas próprias armas em nossos lares é descer à barbárie.

– Então, o que fazer? Permanecer de braços cruza­dos, à espera de que nos espoliem e matem?

– Absolutamente! Penso que a iniciativa mais im­portante deve ser nossa. É preciso que a sociedade se mo­bilize para o auxilio às pessoas carentes. O transbordamento da miséria na periferia derrama-se em ondas de violência sobre a cidade. Panelas vazias são más conse­lheiras, inspirando revolta e desespero em almas invigilantes, sugerindo-lhes soluções criminosas. De certa for­ma estamos todos pagando pelo nosso egoísmo. Crianças famintas, sem orientação, sem instrução, que ali vivem, são potencialmente, os assaltantes de amanhã. Se cada família de classe média se dispusesse a ajudar um menor, encaminhando-o na vida, favorecendo-lhe par­ticularmente o acesso à educação, o problema estaria a caminho de ser resolvido.

– E enquanto isso não acontece?

– Recusemos usar a violência em defesa própria, conscientes de que fatalmente gerará problemas para o nosso futuro. Ela é sempre comprometedora.

– E a nossa defesa?

– Confiemos em Deus...

Como se estas últimas palavras fossem a deixa para dramática entrada em cena de novo personagem, um jo­vem invadiu a farmácia de revólver em punho, e foi logo anunciando:

– É um assalto! Quietos ou morrem! Sentindo-se dominado por incontrolável indig­nação, Jacinto pensou em atracar-se com o intruso.

Ronaldo adiantou-se:

– Não pretendemos reagir, meu irmão. Peço-lhe, em nome de Deus, que mantenha a calma.

Embora dirigindo-se ao assaltante, o velho far­macêutico, experiente conhecedor da natureza humana, procurava conter os impulsos do amigo.

Observando o assaltante, pouco mais que um meni­no, notou que a arma tremia em suas mãos. Ele estava ex­cessivamente nervoso e qualquer gesto brusco, que re­presentasse uma ameaça, o levaria a atirar.

Acima de qualquer temor, sentia imensa piedade. Ali estava um infeliz, que optara pela solução aparente­mente mais fácil para seus problemas de subsistência, mas que lhe cobraria pesado tributo de sofrimento e de­sequilíbrios.

E enquanto abria a caixa registradora, confiava-se à oração, pedindo aos bons Espíritos que neutralizassem eventuais acessos de agressividade, tanto do amigo quanto do assaltante.

Então aconteceu o imprevisto. O rapaz, como que possuído por incoercível força que lhe agitava os refolhos da consciência, fez-se muito páli­do. Aturdido, balbuciou:

– Fique tranquilo, moço. Não vou levar nenhum di­nheiro. Gostaria apenas que me desse um comprimido para dor de cabeça...

Após receber o remédio, saiu apressado, enquanto Jacinto suspirava aliviado e dizia, sorridente:

– Foi fantástico, Ronaldo! Que mágica você usou? Nunca vi nada igual! Quer trabalhar de vigia em minha casa?

Todas as iniciativas que visem a reduzir a criminalidade nos centros urbanos, terão pouca eficiência se não houver uma ampla mobilização da sociedade em favor de pessoas marginalizadas pelo desemprego, pela ignorância, pelo vício, pela penúria extrema. Estes males têm crescido inexoravelmente, favorecidos pelo egoísmo de classes sociais melhor aquinhoa­das.

 

Aqueles que despertaram para essa realidade, que se preocupam com o semelhante, que dedicam suas vidas ao esforço da fraternidade, superam o clima de medo, a sinistrose da violência, conscientes de que com seu esforço habilitam-se à defesa mais eficiente: a proteção de Deus.



Escrito por Antonio de Mello às 09h01
[] [envie esta mensagem] []




palestra VIDA ALÉM DA VIDA, Centro Espírita Cristo Consolador, em Patrocínio Paulista SP:

Washington, Sidney e Felipe Salomão

Robson, Sidneye Felipe Salomão

 

 

 

 



Escrito por Antonio de Mello às 08h48
[] [envie esta mensagem] []




ABNEGAÇÃO

Não te despreocupes da abnegação dentro da própria vida, a fim de que possas auxiliar as vidas que te rodeiam.

Supérfluo que nos enfeita é carência que aflige os outros.
O grande egoísmo da Humanidade é a soma dos pequenos egoísmos de cada um de nós...

Sofrer por obrigação é resgate humano, mas sofrer para que outros não sofram é renúncia divina.

Ninguém sabe se existe virtude nos prisioneiros da expiação; entretanto, a virtude mostra-se viva em todo aquele que, podendo acolher-se ao bem próprio, procura, acima de tudo, o bem para todos.
Se podes exigir e não exiges, se podes pedir e não pedes, se podes complicar e não complicas, se podes parar de servir e prossegues servindo, estarás conquistando o justo merecimento.

Não vale, pois, reclamar a abnegação dos outros para a melhoria do mundo, porque o próprio Cristo nos ensinou, à força de exemplos, que a melhoria do mundo começa de nós.

 

(Emmanuel, de "Abnegação", msg. adaptada do livro Religião dos Espíritos, F. C. Xavier)



Escrito por Antonio de Mello às 10h07
[] [envie esta mensagem] []




AUTOFAGIA - por Richard Simonetti

         Não julgueis, para que não sejais julgados; por­que, com o juízo com que julgardes, sereis jul­gados; e a medida de que usardes, dessa usarão convosco, e ainda se vos acrescentará. Por que vedes o argueiro no olho de vosso irmão e não enxergais a trave que tendes no vosso? Ou como podereis dizer ao vosso irmão: “Deixa-me tirar um argueiro do vosso olho” –, quando tendes no vosso uma trave? Hipócritas! Tirai primeiro a trave dos vossos olhos, e então vereis claramente para tirardes o argueiro do olho de vosso irmão. (Mateus, 7:1-5)

         Maledicência é o ato de falar mal das pessoas. Definição bem amena para um dos maiores flagelos da Humanidade. É mais terrível que uma agressão física. Muito mais que o corpo, fere a dignidade humana, conspurca reputações, destrói existências.

         Mais insidiosa do que uma epidemia, na forma de boato – o ouvi dizer – alastra-se como rastilho de pólvora. Mera visão pirotécnica em princípio: Ele paga suas contas com atraso ou Ela sai muito de casa. Depois, explosiva: Ele é um ladrão! ou Ela está traindo o marido!.

         Arma perigosa, está ao alcance de qualquer pessoa, em qualquer idade, e é muito fácil usá-la: basta ter um pouco de mal­dade no coração.

         Tribunal corrupto, nele o réu está, invariavelmente, ausen­te. É acusado, julgado e condenado, sem direito de defesa, sem contestação, sem misericórdia. Tão devastadora e, no entanto, não implica nenhum com­promisso para quem a emprega. Jamais encontraremos o autor de um boato maldoso, de uma fofoca comprometedora. O maledi­cente sempre vende o que comprou. Ninguém está livre dela, nem mesmo os que se destacam na vida social pela sua capacidade de realização, no setor de suas atividades. Estes, ao contrário, são os mais visados. Nada mais gratificante para o maledicente do que mostrar que fulano não é tão bom como se pensa.

         Não há agrupamento humano livre da maledicência. Está presente mesmo onde jamais deveria haver lugar para ela: em instituições inspiradas em ideais religiosos de serviço no campo do Bem. Quando se manifesta nessas comunidades, infiltrando-se pela invigilância de companheiros desavisados, que se fazem agentes do mal, é algo profundamente lamentável, provocando o afastamento de muitos servidores dedicados e aniquilando as mais promissoras esperanças de realização espiritual.

         Nem mesmo o Cristo, inspiração suprema desses ideais, esteve livre dela. Exemplo típico de seu poder infernal foi o com­portamento da multidão, que reverenciou Jesus na entrada triun­fal, em Jerusalém; no entanto, poucos dias depois, instigada pela maledicência dos sacerdotes judeus, festejou sua crucificação, cercando a cruz de impropérios e zombarias.

         A maledicência tem sua origem, sem dúvida, no atraso mo­ral da criatura humana. Intelectualmente, a Humanidade atingiu culminâncias. Chegamos à Lua, desintegramos o átomo. Moral­mente, entretanto, somos subdesenvolvidos, quase tão agressivos e inconsequentes como os habitantes das cavernas, e, se o ver­niz de civilidade nos impede de usar a clava, usamos a língua, atendendo a propósitos de autoafirmação, revide, justificação ou pelo simples prazer de atirar pedras em vidraças alheias.

         Não se dá conta aquele que se compraz em criticar a vida alheia, que a maledicência é um ato de autofagia (condição do animal que se nutre da própria substância, que come o pró­prio corpo). O maledicente pratica a autofagia moral. A má pala­vra, o comentário desairoso contra alguém gera, no autor, um clima de desajuste íntimo, em que ele perde força psíquica e se autodestrói moralmente, envenenando-se com a própria malda­de. Por isso, pessoas que se comprazem nesse tipo de comporta­mento são sempre inquietas e infelizes.

         Jesus adverte que o maldizente fatalmente será vítima da maledicência, quer porque onde estiver criará ambiente propício à disseminação de seu veneno, quer porque a Vida o situará, ine­lutavelmente, numa posição que o sujeitará a críticas e comentá­rios desairosos, a fim de que aprenda a respeitar o próximo.

         Deixando bem claro que a ninguém compete o direito de julgar, o Mestre recomenda que, antes de procurarmos ciscos no olho de nosso irmão, tratemos de remover a lasca de madeira que repousa, tranquila, no nosso. Se possuímos incontáveis defeitos, se há tantas tendências inferiores em nossa personalidade, por que o atrevimento de criticar o comportamento alheio?

         E há os estudos de Psicologia que oferecem uma dimensão bem maior ao ensinamento evangélico. Admitem hoje os psicólogos que tendemos a identificar com facilidade nos outros o que existe em abundância em nós. O mal que vemos em outrem é algo do mal que mora em nosso coração. Por isso, as pessoas virtuosas, de senti­mentos nobres, são incapazes de enxergar maldade no próximo.

         É preciso, portanto, treinar a capacidade de enxergar o que as pessoas têm de bom, para que o Bem cresça em nós. O primei­ro passo — difícil, mas indispensável — é eliminar a maledicên­cia. Um recurso valioso para isso é usar os três crivos, segundo velha lenda de origem desconhecida, que vários escritores atri­buem a Sócrates, lembrada pelo Espírito Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier, em mensagem publicada pela revista Reformador, no mês de junho de 1970:

         Certa feita, um homem esbaforido achegou-se ao grande filósofo e sussurrou-lhe aos ouvidos:

         – Escuta, Sócrates... Na condição de teu amigo, tenho al­guma coisa de muito grave para dizer-te, em particular...

         – Espera!... – ajuntou o sábio, prudente. — Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?

         – Três crivos? – perguntou o visitante espantado.

         – Sim, meu caro, três crivos. Observemos se a tua confi­dência passou por eles. O primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza quanto àquilo que me pretendes comunicar?

         – Bem – ponderou o interlocutor –, assegurar, mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e... então...

         – Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julgas saber, será pelo menos bom o que me queres contar?

         Hesitando, o homem replicou:

         – Isso não... Muito pelo contrário...

         – Ah! – tornou o sábio – então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.

         – Útil?!... – aduziu o visitante ainda mais agitado. – Útil não é...

         – Bem – rematou o filósofo num sorriso –, se o que me tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que de nada valem casos sem qualquer edificação para nós.

         Irmão X termina a mensagem, comentando:

         Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência. Se pudermos aplicá-la, creio que teremos ganhado tempo e recursos preciosos para rearticular o serviço, refazer a paz, realizar o melhor e seguir para frente.

 

         A fórmula é, realmente, muito boa. Usá-la é favorecer nos­sa própria edificação. Jesus nos está convocando à gloriosa cons­trução do Reino dos Céus em nossos corações. Não percamos tempo com as excrescências da Terra. 



Escrito por Antonio de Mello às 09h14
[] [envie esta mensagem] []




VOLTAR A NASCER

Você acredita em reencarnação? Acredita que alguém que tenha morrido possa retornar a viver, em outro corpo?

Acha que isso tudo é somente uma grande fantasia, excelente para enredo de filmes, matéria literária para encher páginas e mais páginas de revistas?

Talvez algo sensacional para títulos de manchetes?

Pois aquela senhora de 86 anos cultivava as saudades do seu irmão há mais de seis décadas quando um casal entrou em contato com ela.

A princípio, de forma muito prudente, como a sondar seus sentimentos e depois, revelando enfim que, em sua casa, seu filho dizia ter sido irmão dela.

Anne Barron lembrava de que, no dia 3 de março de 1945, estava em sua sala de estar, fazendo a limpeza.

Estava ansiosa porque toda a família iria se reunir em sua casa para aguardar, em breves dias, o retorno do irmão.

Então, ela sentiu como se ele estivesse ali, ao lado dela. E falaram e falaram. Eram muito ligados.

A reunião nunca aconteceu porque James foi dado como desaparecido em uma missão, como piloto.

O dia em que desaparecera? 3 de março.

Agora, um menino de 5 anos estava ao telefone, para falar com ela. Ele a chamou de Annie.

Ela estremeceu. Somente seu irmão a chamava dessa forma. A conversa foi muito interessante.

O garoto tinha conhecimento de muitas coisas da família. Referia-se ao pai e à mãe de ambos como um irmão faria.

O menino se lembrava com riqueza de detalhes do alcoolismo do pai, de que uma outra irmã, de nome Ruth, tinha sido colunista social de um jornal da cidade.

A quantidade de minúcias da família sobre as quais conversavam Anne e o novo James era impressionante.

Com o tempo, quaisquer dúvidas foram eliminadas da mente de Anne. Aquele era seu irmão, que voltara a viver, em outro corpo.

Então, ela resolveu mandar para a cidade onde ele morava, um presente.

Era um quadro que a mãe deles havia pintado do filho quando ele era criança.

Quando o recebeu, a primeira pergunta do pequeno a Anne foi:

Onde está o quadro que ela pintou de você?

Anne ficou sem fôlego. Apenas ela sabia que sua mãe pintara dois retratos: seu e de seu irmão.

O retrato de Anne estava no sótão. Ninguém no mundo sabia disso, só ela.

A cada vez que com ele falava ao telefone, ela tinha mais certeza: aquele garoto era um Espírito familiar.

Quando o ouvia, ela não podia deixar de reconhecer que era o Espírito do seu irmão, morto na guerra, que voltara.

Quando se encontraram, pela primeira vez, face a face, ele a olhou atentamente.

Quieto, ele a ficou examinando com o olhar, avaliando. Algo como se estivesse tentando encontrar o rosto da irmã de 24 anos na mulher de agora 86 anos. Ela envelhecera. Ele renascera.

Não demorou muito e conversavam, de forma natural, com afetividade, identificando-se um com o outro.

A reencarnação é Lei natural e todos os Espíritos a ela se submetem, até alcançar a perfeição.

Foi isso que Jesus ensinou ao falar a Nicodemos: Em verdade, em verdade te digo: ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.

 

Redação do Momento Espírita, com base nos caps. 32 e 33 do livro A volta, de Bruce e Andréa Leininger com Ken Gross, ed. Bestseller.



Escrito por Antonio de Mello às 09h21
[] [envie esta mensagem] []




SEGREDO REVELADOpor Orson Peter Carrara

          Todo mundo quer a felicidade. Todos desejamos nos sentir bem, sermos respeitados, alcançar estágios de convivência harmoniosa, de êxito nas ações e desfrutar de saúde ao lado de pessoas que amamos e igualmente sermos amados, compreendidos. Isso inclui conquistas valorizadas de acordo com o foco com que se enxerga a experiência de viver.

         Muitos de nós valorizam o dinheiro onde se incluem o conforto, as viagens e tudo mais que o dinheiro pode adquirir; outros desejam o poder e muitos valorizam o sucesso que possam alcançar. Muitos de nós se esquecem da felicidade contida na saúde e na convivência familiar, só percebida depois que perdemos esses valores reais da felicidade humana.

         Existe ainda a felicidade ilusória e frágil das conquistas efetuadas sob prejuízo alheio, geradora de aflições em futuro breve ou remoto. Ela, a felicidade, contudo, está mais na ventura interior que nas conquistas exteriores. O acúmulo de bens ou de destaques não é sinônimo de felicidade. Ela, é antes uma conquista interior. De paz de consciência, por exemplo, que é a única felicidade real que realmente se pode desfrutar.

         Sim, pois, na verdade, a felicidade não se conquista. Ela é simplesmente a consequência da felicidade que proporcionarmos ao nosso semelhante. Dentro ou fora de casa, não importando raça, cor, sexo, idade, nacionalidade, estado civil ou status social, profissão ou grau de escolaridade.

         A sensação que se colhe imediatamente após um gentileza, um favor autêntico sem fingimento, um ato de solidariedade ou uma alegria levada a uma criança, uma família, uma pessoa em dificuldade, é a autêntica felicidade.

         E o contrário, ou seja, a infelicidade, é a consequência imediata ou remota da dor que impingirmos ao próximo, gerando aflições expressivas no futuro. Pode ser uma traição, uma calúnia, um desprezo ou atos mais graves e até mesmo gestos considerados insignificantes como nossa negligência, o desrespeito a horários e compromissos, nossos atrasos e hábitos viciosos que se espalham no comportamento humano.

         Conhecida frase afirma que a felicidade não é um lugar a ser alcançado, mas a forma de viajar. Ou seja, a forma de viver é que faz a felicidade. Nossos comportamentos teimosos, rebeldes, omissos ou indiferentes, agressivos e temperamentais produz aflições ao redor e em si mesmo. É uma forma equivocada de viajar, ou seja, de viver.

         Já o “jogo de cintura”, a flexibilidade, a observação atenta de deixarmos a vida fluir em abundância, respeitando pessoas, instituições, horários e regras, produz a sensação de paz e felicidade que se espera alcançar.

         Em síntese, a verdadeira felicidade é desejar e alegrar-se com a felicidade do próximo. Será que já alcançamos esse estado de virtude? Ou ainda nos enciumamos e invejamos a felicidade alheia?

         Enquanto estivermos assim, não teremos felicidade. Estaremos perturbados pela ambição, pela inveja, pelo ciúme. Fazer, pois, a felicidade alheia – dentro e fora de casa – e alegrar-se com ela, eis o segredo revelado da felicidade!

         Sentir alegria é estar de bem com a vida! Para isso, promovamos desde já a demissão do egoísmo, da vaidade, do orgulho, do ciúme, da arrogância. Sejamos daqueles que preferem a alegria de viver, instrumento saudável de conexão com a felicidade. Afinal a alegria de viver não agride; ela respeita horários, pessoas e instituições, diferenças e está sempre pronta para promover essa felicidade em torno de si, o que lhe resultará como consequência imediata a própria felicidade!

 

         Tudo muito lógico, não é mesmo? Por que perdemos tanto tempo com comportamentos absolutamente dispensáveis e mesquinhos?



Escrito por Antonio de Mello às 07h57
[] [envie esta mensagem] []




EU ERA INFELIZ E NÃO SABIA

As recentes manifestações lançaram uma forte luz sobre a insatisfação generalizada com os rumos do País, destacando-se a ênfase dada a alguns antigos e grandes problemas nacionais: educação, saúde e transporte públicos. No meio dos protestos, um cartaz em particular chamava a atenção, valendo como boa síntese das razões da mobilização e do descrédito em que caíram os informes oficiais sobre o bom momento que os brasileiros vivenciavam: “Eu era infeliz e não sabia”.

A frase demonstra, como talvez nenhuma outra, que a sociedade já havia se acostumado com o mau uso do dinheiro público, a escalada da corrupção, o descaso com as reais prioridades nacionais, entre outras distorções, que em conjunto resultam nos péssimos serviços prestados à população. E mais: a rejeição à participação de políticos, partidos e organizações sindicais nas manifestações sinalizou, com clareza inusitada, a desconfiança com que passaram a ser vistas as instituições públicas.

 

Um pouco de leitura dos clássicos brasileiros, entretanto, anularia boa parte da surpresa que as manifestações provocaram. Por exemplo, Ruy Barbosa (1849-1923) já alertava que “ um povo livre não está sujeito senão às leis que vote pelos seus representantes. Mas, se, com a mentira eleitoral, esbulham do povo o voto, que é a soberania do povo; se, com as oligarquias parlamentares, varrem o povo do Congresso Nacional, que é a representação do povo; se, com as dilapidações orçamentárias, malbaratam a receita do imposto, que é o suor do povo; se, com as malversações administrativas, devoram a Fazenda nacional, que é o patrimônio do povo (...), não nos espantemos de que, como aos mais lerdos muares, ou às reses mais mansas, esgotada um dia a paciência à cansada alimária, junte os pés e num corcovo, desses que nem o gaúcho nem o cossaco se aguentam, voem aos ares selas, estribos, chilenas, rebenques e cavaleiros”.
Acionado o sinal de alerta, é de todo conveniente que os governantes adotem uma nova política de gastos, pautada pela ética, que manda privilegiar os anseios maiores da sociedade sobre os interesses pessoais ou corporativistas dos governantes. A mesma ética recomenda, ainda, a transparência nas ações dos Poderes Públicos e principalmente – insisto – o máximo respeito e competência no uso dos recursos públicos, que têm origem no trabalho dos cidadãos, que há muito não recebem serviços à altura dos altos impostos que pagam.
O autor, Ruy Martins Altenfelder Silva, é presidente da Academia Paulista de Letras Jurídicas (APLJ) e do Conselho de Administração do Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE



Escrito por Antonio de Mello às 09h24
[] [envie esta mensagem] []


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]